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Terra do Rafael

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Rafael Terra, 25 anos, é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Gosta de observar o comportamento alheio e perde muito tempo filosofando sobre a vida. Quer transformar tudo em pauta e não passa um dia sem dançar um rock. Adora chuchuuu!

  • July 5, 2010 10:57 pm

    O sono dos outros

    O filme acabou. Ela virou a cabeça para o lado esquerdo e adormeceu. Fechei os olhos e tentei dormir também. Sonhos ou pesadelos não vinham. Não que fosse avesso a transformar meu corpo num receptivo templo do sono para meu amor, o que fazia os meus olhos ficarem abertos eram as coisas que permaneciam vivas em minha volta.

    Enquanto ela parecia ter atingido o êxtase, tudo que me cercava incomodava. A televisão que permanecia ligada, o vento frio que entrava pela janela e fazia os meus DVD’s guerrearem numa luta de empurra-empurra e, agora, a minha incapacidade de adormecer como ela. Se fosse um jogo, teria perdido.

    Comecei a pensar em formas de como escapar daquela posição sem acordá-la. Contudo, cada pequeno movimento que fazia parecia trazer-lhe mais próxima para a realidade dos acordados. O sono dela parecia tão frágil quanto às mãos pequeninas e branquelas que jaziam sobre o meu peito.

    O relógio do rádio – que piscava com sua luz azul detestável - me avisava que já havia passado intermináveis quarenta minutos. Ela realmente tinha alcançado as profundezas do sono e talvez fosse despertar somente no outro dia. Eu estava fadado a passar a noite em claro, acorrentado ao sofrimento das minhas manias não praticadas naquela noite e de meus pensamentos inconvenientes. Aliás, agora estava a pensar sobre não ter escovado os dentes. Quantas bactérias teriam aproveitando esse deslize e se instalado na minha boca? Estava decidido: na segunda marcaria uma consulta no dentista.

    Meu corpo também dava sinais de cansaço. Os braços pareciam um pedaço de madeira podre sendo atacado por cupins e a bexiga estava disposta a transformar meus lençóis num mictório fedorento. Foi quando, como num sonho, a claridade da janela escancarada mostrou-me os olhos dela abertos. Ela beijou-me a bochecha e disse:

    – Amor, não consigo dormir. Você pode fechar a janela e desligar a televisão?

  • July 5, 2010 10:40 pm
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    Minha música preferida do Elf Power!

  • July 5, 2010 9:17 pm